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Primeiros Socorros em Caso de Afogamento

Quarta-feira, 12.06.13

 

O que é o afogamento?

Um afogamento é a morte por asfixia após imersão num fluído, geralmente a água. Quando uma pessoa consciente submerge num meio líquido contém a respiração voluntariamente, tendo em conta que é preciso regressar imediatamente a superfície para respirar. Pode acontecer que a vítima, por não saber nadar ou sentir que não consegue flutuar, entre em pânico e comece a engolir água. Inicialmente, desencadeia-se um mecanismo de bloqueio da água na laringe (laringospasmo), o que impede a passagem do líquido para os pulmões, acabando o líquido por ser deglutido e acumulado no estômago. No entanto, este mecanismo provoca a interrupção da troca gasosa a nível pulmonar, podendo assim desencadear-se várias situações:

  • Diminuição da oxigenação sanguínea;
  • Progressiva alteração do funcionamento cerebral, com perda de consciência;
  • Insuficiência do reflexo laríngeo destinado a impedir a passagem do ar para os pulmões;
  • Paragem respiratória e cardíaca.

 

O afogamento é uma situação frequente?

A nível mundial, o afogamento ocorre numa taxa anual de 3,5 mortes/100.000 habitantes. É considerado a 4ª causa de morte acidental em adulto e uma das principais causas de morte na infância, especialmente entre os 1 e 2 anos, por falta de vigilância, com maior risco de acidente em piscinas e banheiras (o afogamento nestas idades pode ocorrer com quantidades muito pequenas de água). Também é muito frequente entre os 10 e os 19 anos, por desconhecimento do local de mergulho, excesso de confiança e exaustão de nadadores, predominando em qualquer faixa etária no sexo masculino. Aproximadamente 24% das crianças em quase-afogamento nunca recuperaram a função neurológica normal.

 

Existem factores de risco associados à ocorrência de afogamentos?

Apesar de poder parecer que a incidência seja maior nos indivíduos que não sabem nadar, este não é o principal fator. Na grande maioria dos casos, o afogamento apresenta-se associado a outras circunstâncias, onde os indivíduos costumam não apresentar a "luta pela vida", característica daqueles que não sabem nadar. Podem citar-se:

  • Doença cardíaca prévia;
  • Hipotermia;
  • Convulsões e doença epiléptica;
  • Abuso de drogas (incluindo o álcool);
  • Traumatismos cranianos e/ou raquimedulares (perda de consciência, antes de sentir a necessidade de respirar).

 

 

Existem diferentes tipos de afogamento?

De acordo com o mecanismo fisiopatológico envolvido e com a natureza do meio aquático em que se produz o acidente, podemos distinguir dois tipos de afogamento: seco e húmido.

 

O que é um afogamento seco?

O afogamento seco representa 10% dos casos. Nesta situação, o bloqueio das vias respiratórias é tão intenso que praticamente não permite a passagem de liquido para os pulmões e a principal causa de morte é a falta de oxigenação e consequente paragem respiratória e cardíaca. Caso o salvamento seja imediato, é possível a recuperação da função respiratória, mas se o salvamento é tardio, o prognóstico depende do tempo decorrido e as consequências serão as resultantes de uma paragem cardio-respiratória prolongada, com risco de morte.

 

O que é um afogamento húmido?

É a situação de afogamento mais frequente (90% das ocorrências). Neste caso, a paragem respiratória alia-se às consequências da passagem da água para os pulmões, de diferente tipo, conforme a natureza do liquido:

  • Água do mar: a concentração de sais é muito superior à sanguínea e verifica-se uma passagem da água dos capilares sanguíneos para o interior dos alvéolos e os pulmões inundam-se ainda mais. Contudo, o principal risco é a brusca redução do volume de sangue circulante (choque hipovolémico), que pode provocar uma paragem cardíaca, com resultados fatais;
  • Água doce: a concentração de sais é muito inferior à sanguínea e acontecerá o contrário da água do mar (o líquido passa dos alvéolos para o interior dos capilares sanguíneos). A diluição do sangue leva à destruição maciça dos glóbulos vermelhos, o que origina uma série de alterações físico-químicas do meio sanguíneo. 

 

Que consequências a longo prazo pode ter a aspiração de água?

Caso a vitima sobreviva, a aspiração de água pode provocar complicações tardias, como a atelectasia e o colapso pulmonar, o desenvolvimento de infecções pulmonares (pneumonia) e, consequentemente, uma eventual insuficiência respiratória que deve ser imediatamente tratada.

 

 

Quais os primeiros-socorros a prestar em caso de afogamento?

Se vai socorrer uma vítima de afogamento, deve executar, de imediato, manobras de reanimação, até que chegue a equipa de emergência (deve ser imediatamente contactada). Se for possível, siga os passos recomendados pelo Suporte Básico de Vida:

  • Garanta condições de segurança e retire a vítima da água na posição deitada (o socorrista só deve retirar a vítima da água se não puser em causa a própria vida);
  • Verifique o estado de consciência, abanando os ombros da vítima com cuidado e perguntando se está bem. Se a vítima não reagir, procure ajuda;
  • Abra as vias aéreas. Uma vítima inconsciente tem os músculos relaxados, isto faz com que a língua obstrua a via aérea. O risco pode ser eliminado ao inclinar cuidadosamente a cabeça para trás e levantar o queixo;
  • Verifique a ventilação (ver, ouvir e sentir durante dez segundos). Verifique se o tórax se move para cima e para baixo, tente ouvir e sentir a ventilação da vítima na sua face;
  • Se a vítima não responder e não estiver a ventilar normalmente, contacte o 112 e inicie, de imediato, manobras de reanimação, fazendo ciclos de 30 compressões torácicas e duas insuflações;
  • Se, entretanto, a vítima retomar a consciência, colocá-la em Posição Lateral de Segurança (PLS) e mantê-la confortavelmente aquecida;
  • Mantenha as manobras de reanimação na vítima até à chegada de pessoal qualificado que tome conta da situação ou até a vítima começar a ventilar normalmente.

 

À chegada da equipa de emergência, que informações devem ser prestadas aos profissionais de saúde?

  • Circunstâncias da ocorrência;
  • Tempo de submersão;
  • Temperatura e estado de pureza da água;
  • Sintomas apresentados pelo doente;
  • Doenças anteriores da vítima.

 

Quais os erros mais frequentes na prestação de primeiros-socorros a um afogado?

  • Confiar demasiado na sua capacidade física e aventurar-se em águas profundas;
  • Não cumprir o tempo adequado para a digestão;
  • Tentar remover a água aspirada pela via aérea por outros meios que não um aspirador de secreções;
  • Tentar imobilizar a cervical do afogado (tal procedimento só pode ser efectuado em segurança pela equipa especializada de socorro).

 

 

Qual o papel do nadador-salvador no socorro a náufragos?

Considera-se nadador-salvador a pessoa habilitada com o respectivo curso, certificado pelo Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). A assistência a banhistas deve ser assegurada pelo nadador-salvador nas praias durante todo o período definido para a época balnear. É permitido o exercício da actividade de nadador-salvador, a título voluntário, desde que este se encontre inserido na estrutura auxiliar do sistema de busca e salvamento sob a coordenação da autoridade marítima local. O nadador-salvador tem como funções:

  • Vigiar a forma como decorrem os banhos;
  • Auxiliar os banhistas, prevenindo-os ou advertindo-os para a ocorrência de situações de risco ou perigosas;
  • Alertar os banhistas, demovendo-os da prática de actos que, no meio aquático, constituam risco para a sua saúde ou integridade física;
  • Socorrer os banhistas em situação de perigo ou de emergência;
  • Socorrer os banhistas em casos de acidente ou situações de emergência;
  • Observar as instruções das autoridades competentes, nomeadamente as que lhe sejam dadas pela Polícia Marítima no âmbito de acidente pessoal ocorrido com banhistas ou em caso de alteração das condições meteorológicas.

 

Que medidas de prevenção podem ser tomadas para evitar o afogamento, nomeadamente em crianças e jovens?

  • Isolamento das piscinas com cerca ou tela (reduz a taxa de afogamento em crianças entre 1 a 4 anos);
  • Cumprimento da sinalização nas praias, bem como das indicações dos nadadores-salvadores;
  • Escolha de zonas balneares vigiadas ao invés de preferir praias não vigiadas;
  • Supervisão e acompanhamento de adultos a crianças pequenas, mesmo as que sabem nadar (nunca devem ser deixadas sozinhas em banheiras, piscinas e tanques);
  • Educação das populações (especialmente os pais) sobre suporte básico de vida e manobras de reanimação;
  • Utilização de coletes salva-vidas na prática de desportos aquáticos;
  • Informação sobre o risco do consumo de álcool e outras drogas, durante actividades aquáticas;
  • Supervisão dos indivíduos que apresentam maior risco de perda de consciência durante a permanência na água (doentes cardíacos, epilépticos ou diabéticos).

 

Informação adicional em: http://www.marinha.pt/conteudos_externos/isn_manuais/index.html#/16/

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por João Cardoso às 18:00